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24/08/2010

A falência de uma recuperação atrapalhada

A falência de uma recuperação atrapalhada

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Fim da velha Varig, Nordeste e Rio Sul é o início de explicações que nunca foram dadas.

Cláudio Magnavita

Ao decretar a falência da Viação Aérea Rio Grandense, da Rio Sul e da Nordeste Linhas Aéreas, a Justiça do Rio não escreveu o último capitulo da história que envolveu a recuperação judicial da antiga Varig e das suas duas co-irmãs.

Na verdade, ao definir a morte das três empresas, acabou por tirá-la de um limbo jurídico que vinha se arrastando desde que se encerrou o prazo da recuperação judicial há um ano.

Na prática, o fim das três empresas é uma demonstração do fracasso da última versão do plano de recuperação judicial, que foi aprovado pelos credores e que deveria fazer surgir uma geração de receita.

O plano foi feito de forma acordada, quando o fundo norte-americano MatlinPatterson já havia realizado um empréstimo de antecipação de recebíveis e aparecia como última chance para a companhia aérea. Ele previa a empresa remanescente voaria inicialmente com uma aeronave fretada por quem comprasse os ativos operacionais.

Haveria também a geração de receita com o centro de treinamento, aluguéis dos imóveis e uso das estações de rádio.

O plano foi criado em poucos dias e se tratou de uma peça de ficção.

As receitas previstas dificilmente se materializariam, mesmo que a nova empresa de fretamento tivesse uma frota de quatro aeronaves. Com uma, então, não tinha como dar certo.

O “fantástico” plano, porém era necessário para aprovação da venda da unidade operacional da velha Varig.

Não haveria venda dos ativos da aérea (rotas e instalações operacionais) sem que os credores tivessem uma fórmula de recuperar seus créditos.

Não houve nem tempo de analisar os números apresentados apenas na assembleia. Tudo foi feito apenas para compôr o ritual de venda.

É importante lembrar que isso ocorreu após o afastamento dos acionistas majoritários da três empresas, a FRBPar, que, por determinação expressa da Justiça do Rio, ficaram até hoje afastados da gestão dos seus patrimônios, sem direito de opinar sobre o destino das três empresas.

A partir deste momento, toda a responsabilidade passou a ser judicial.

A venda dos ativos operacionais da Varig foi realizada para a empresa VarigLog, já controlada pelo fundo MatlinPatterson.

Foi criada a VRG Linhas Aéreas e aí os problemas começaram.

A compradora, por ironia, a VarigLog está hoje em recuperação judicial.

Foi também alvo de uma disputa societária pesada.

Houve inclusive a burla do CAB (Código Aeronáutico Brasileiro), confessada nos autos do processo da disputa, com o fim de extrapolar o limite dos 20% da participação estrangeira.

Fora o festival de denúncias envolvendo o advogado Roberto Teixeira, que chegou a respingar na então chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, alvo de acusação da ex-diretora da Anac, Denise Abreu. Tudo isso acabou em depoimentos no Senado.

A falência da antiga Varig, há menos de 40 dias das eleições e no momento em que um dos personagens listados na confusão, mesmo que involuntariamente, concorre à presidência da República, poderá reabrir um assunto que parecia sepultado.

Nesta ciranda de problemas e de negócios mal explicados, a VRG foi vendida depois para a Gol que herdou as responsabilidades assumidas na assembleia de vendas, entre elas, a de manter a empresa remanescente, a Flex (como foi rebatizada a Nordeste) operando.

Este foi o princípio do fim. A “boa vontade” da VRG com a Flex chegou a levar até o Sindicato dos Aeronautas a interagir e a pressionar para que o fluxo financeiro fosse mantido.

A nova empresa, que era a alma do plano para pagamento dos credores, foi tratada a conta-gota. Não cresceu, não ocupou seu espaço na geração de receita em voos domésticos e de longo curso, como estava previsto no plano.

A inanição foi consequência do desprezo de quem deveria lutar para manter o plano vivo.

O curioso é que o lava-mãos ocorreu, por coincidência, exatamente quando foi afastado, em última instância, o risco da sucessão trabalhista da velha Varig para a VRG.

A figura dos acionistas majoritários permaneceu fora do processo todo este tempo. Só no final, quando o calendário apontava o fim da recuperação judicial, é que eles foram chamados para reassumir a empresa remanescente.

Como poderiam aceitar a gestão de um espólio fadado ao colapso?

A decretação da falência das três não é um fim.

Na realidade, será o principio de um embate, já que literalmente as três empresas saem de um limbo, nas quais foram colocadas com o afastamento de seus acionistas e com a própria Justiça do Rio assumindo em 100% a responsabilidade da implementação de um plano de recuperação.

A falência da três empresas é o fracasso do primeiro grande caso da lei de recuperação judicial do qual a Varig foi a cobaia.

O que pode ser apontado como grande saldo positivo resume-se a negócios que foram realizados de forma tortuosas e doloridas.

A venda da VEM e da VarigLog realizada pelos “notáveis”, a nova venda da própria VarigLog - burlando o código aeronáutico -, o colapso da primeira operação da VRG com a briga dos sócios brasileiros com o fundo americano, as pressões de advogados ligados ao Planalto para favorecer os compradores e, finalmente , a venda da VRG à Gol com o bloqueio judicial das ações dadas como pagamento de uma legião de trabalhadores que ficaram sem receber suas indenizações rescisórias.

Uma enorme quantidade de aeronautas e aeroviários tiveram de reiniciar suas carreiras com salários aviltados e sem que se respeitasse a antiguidade para efeito de promoções e o que é mais grave: o maior credor privado do espólio da Varig, o fundo de pensão Aerus, falido e levando milhares de pessoas a viverem uma dramática velhice sem receber o que lhes era devido.

Com a falência, o Aerus passa para o fim da fila, ou seja, serão priorizadas as dívidas tributárias, as trabalhistas e só depois os credores privados.

Essa etapa abre um processo doloroso de ajuste de contas e caberá a cada um dos protagonistas explicar porque o plano de recuperação não deu certo.

E também questiona-se: quem será o síndico da massa falida?

Como ficarão os encontros de contas das ações do ICMS e da defasagem tarifária?

Não são só os acionistas afastados que esperam uma resposta, mas os milhares de associados do Aerus, que foram levados a acreditar nas promessas realizadas nas emocionantes assembleias de credores.

Essas falências não assinalam o fim, mas o começo de uma história que precisa ser explicada. E muito bem explicada!

Fonte:Cláudio Magnavita é presidente da Aver Editora e da Abrajet (Associação Brasileira dos Jornalistas de Turismo).

23/08/2010

Justiça decreta falência da empresa aérea Flex

Justiça decreta falência da empresa aérea Flex

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A juíza Márcia Cunha de Carvalho, em exercício na 1ª Vara Empresarial do Rio, decretou a falência da antiga Varig, que atualmente operava com a bandeira Flex, e de duas outras empresas do grupo: Rio Sul Linhas Aéreas e Nordeste Linhas Aéreas.

A decisão foi tomada a partir de pedido do próprio administrador e gestor judicial da companhia.

Ele informou ao Judiciário fluminense que as empresas – em recuperação judicial há cinco anos – não têm como pagar suas dívidas.

Para não causar a interrupção do tráfego aéreo e a desvalorização dos ativos, a juíza Márcia Cunha determinou que a antiga Varig continue operando, por duas semanas, os serviços de comunicação por meio de estações de rádio que orientam os pilotos nas decolagens e pousos.

Depois desse prazo, a atividade, que estava seriamente ameaçada por atrasos nos pagamentos de salários dos operadores, será transferida para a empresa de aviação TRIP.

O Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (CINDACTA II) chegou a ser consultado pela Justiça sobre a possibilidade de assumir a atividade.

O órgão, porém, durante reunião realizada no Fórum do Rio, informou que não teria condições de realizar a tarefa, mesmo temporariamente, e que se o serviço fosse paralisado, o tráfego aéreo civil seria interrompido nas áreas afetadas.

“Como a empresa TRIP S/A tem interesse em assumir a prestação do serviço de comunicação, mas necessita de prazo para vencer trâmites internos (…), torna-se imperioso que as requerentes, mesmo após o decreto de falência, dêem continuação à prestação do serviço de comunicação, por duas semanas, até que formalizada a transferência da autorização do CINDACTA II”, escreveu a juíza na sentença.

O centro de treinamento de aeronautas, que é utilizado também por outras companhias, será mantido em funcionamento até a sua alienação judicial.

O objetivo, segundo a juíza Márcia Cunha, é “não causar desvalorização dos ativos nem prejuízos a terceiros e ao público consumidor de transporte aéreo”.

Um perito já foi nomeado por ela para realizar a avaliação judicial da atividade.

Os demais estabelecimentos da antiga Varig não envolvidos no funcionamento das estações de rádio e do centro de treinamento serão lacrados, no prazo de 48 horas, por oficiais de justiça.

A juíza fixou ainda prazo de 15 dias para que os credores que não estejam incluídos no quadro da recuperação judicial apresentem suas habilitações de crédito.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a Bovespa serão comunicadas sobre o decreto de falência.

Em sua sentença, a juíza Márcia Cunha afirmou que, desde que o pedido de recuperação judicial do grupo Varig foi deferido, em 22 de junho de 2005, todos os esforços foram realizados para possibilitar não apenas a superação da grave crise, como também para preservar os interesses públicos.

Os alvos eram, especialmente, a manutenção das atividades econômicas e a conseqüente preservação dos empregos.

“Para tal, foram efetuadas alienações de ativos (…), como a transferência de controle das sociedades VarigLog e VEM e alienação judicial da unidade produtiva, com a transferência da marca Varig e de diversas linhas de voo, nacionais e internacionais.

Com isso, além da preservação de milhares de postos de trabalho, manteve-se a geração de riquezas produtivas, o que reflete, também, na manutenção de arrecadação de tributos nas três esferas da Federação”, destacou.

A juíza atribuiu a “contingências políticas e econômicas”, o fato de a antiga Varig não ter conseguido superar a grave crise financeira e patrimonial na qual estava mergulhada há algumas décadas.

Histórias

Com dívidas estimadas em R$ 7 bilhões, o grupo Varig foi o primeiro do país a pedir a recuperação judicial, em 17 de junho de 2005, quatro meses depois da promulgação da nova Lei de Falências. Na ocasião, o TJ do Rio designou uma comissão de juízes para cuidar do processo.

Após 13 meses de intensas negociações e procedimentos jurídicos, a parte sem dívidas da companhia e com a marca Varig foi vendida, em 20 de julho de 2006, para sua ex-subsidiária VarigLog pelo preço mínimo de US$ 24 milhões, mais obrigações, como a manutenção do programa de milhagens e passagens emitidas, dentre outras.

Também como parte do pagamento aos credores, a VarigLog emitiu duas debêntures com valor de face de R$ 50 milhões, cada uma, e validade de dez anos.

Caso as debêntures fossem pagas à vista, o valor de cada uma delas cairia para R$ 41.481.000,00.

No total, a proposta da vencedora do leilão contemplava a promessa de investimentos da ordem de US$ 485 milhões.

Em março de 2007, a Nova Varig foi comprada pela Gol, que herdou as obrigações anteriormente firmadas.

A antiga Varig, que passou a se chamar Flex, seguiu em recuperação judicial.

A empresa voltou a operar com apenas um avião, fazendo vôos para a própria Gol/Varig, por meio de acordos. Além desse contrato, a empresa completava sua receita com o centro de treinamento de pilotos, uma rádio e o aluguel de imóveis.

A maior esperança de sobrevivência da companhia repousava, porém, na ação que cobra da União cerca de R$ 4 bilhões por perdas com o congelamento de tarifas nos anos 80 e 90.

A empresa ganhou a questão no Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas a disputa judicial seguiu para o Supremo Tribunal Federal, onde ainda será julgada.

Fonte: O Estado de São Paulo-via:Cavok

09/11/2009

FLEX SUSPENDE OPERAÇÕES

FLEX SUSPENDE OPERAÇÕES APARTIR DE 09/11/09


Foram quatro anos de recuperação judicial e quase dois anos de voos operados à Gol O único avião da antiga Varig, um Boeing 737-300 com a bandeira Flex, deve permanecer definitivamente no chão a partir de hoje.

Foram quatro anos de recuperação judicial, um ano e oito meses de voos operados para a Gol, mas uma dívida de R$ 15,1 milhões impede a Flex de decolar, segundo o seu último relatório mensal, referente a outubro.

Os outros negócios da companhia, como o centro de treinamento de pilotos, continuam em atividade. “No mês de novembro, caso não ocorra a liberação de recursos não operacionais, até o dia 6, para pagamento dos funcionários, dos fornecedores e recolhimento de tributos, tornar-se á inevitável a paralisação das atividades”, informa o relatório da Flex, assinado pelo gestor judicial e presidente da empresa, Aurélio Penelas.

O relatório é mensalmente enviado ao juiz Luiz Roberto Ayoub, da 1ª Vara Empresarial do Rio, que comandou a recuperação judicial da companhia. Procurado, Ayoub não quis se manifestar porque prefere, primeiro, conversar com Penelas hoje.

O gestor da Flex diz que o avião só voará novamente se obtiver algum recurso na Justiça que libere R$ 5 milhões em depósitos em juízo, bloqueados pelo Tribunal Regional do Trabalho do Rio. “A gente brigou, brigou e se sente frustrado por chegar tão perto de um acordo e não ter conseguido”, afirma Penelas.

O que ele mais lamenta é a situação dos 212 empregados.

Outra alternativa seria o governo dar algum sinal de que está disposto a fazer o encontro de contas entre o que a empresa cobra por perdas com o congelamento de tarifas entre os anos 80 e 90 e o que ela deve de tributos.

A Flex herdou da Varig um passivo estimado em R$ 7 bilhões.

Mas o próprio Penelas admite que isso é improvável, pois o pacto está emperrado há mais de 210 dias. Um dos impasses é o valor.

A empresa alega cerca de R$ 4 bilhões, mas o governo fala em pouco mais de R$ 2 bilhões.

Penelas conta que outra frente seria a Gol interceder junto à dona do avião, a empresa de leasing Wells Fargo, que pode arrestar o 737-300 a qualquer momento.


O executivo lembra que originalmente a aeronave era da frota da Gol, mas foi arrendada para a Flex.

Mas já são quatro meses sem pagar o arrendamento, cujo valor total é de US$ 900 mil, e a Wells Fargo quer arrestar a aeronave. I

sso só não ocorreu antes porque o avião estava em manutenção até hoje.

Além disso, a Flex não pagou a segunda parcela do seguro, de US$ 150 mil, que venceu na sexta-feira. Sem essa garantia, ela não pode voar. Os 212 empregados da Flex esperam hoje por um “milagre”.

Fonte:Direto da Pista,com informações JetSite / Dani Duarte

23/07/2009

ordem de despejo decretada para Flex

Flex Linhas Aereas tem ordem de despejo decretada



Um Oficial de Justiça entregou na semana passada uma ordem de despejo à FLEX, sucessora da velha Varig. A Infraero quer vazios os três prédios que a empresa ocupa junto ao aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro.

A estatal alega necessitar do espaço, apesar de ter subscrito o Plano de Recuperação Judicial da Flex, que prevê a permanência da empresa em um dos edifícios solicitados, mediante pagamento de aluguel.

Fonte: Revista "IstoÉ" (22/07/2009) via Fórum Contato Radar