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26/03/2010

Os últimos quatro minutos do Voo 447 da Air France

Os últimos quatro minutos do Voo 447 da Air France


A queda do avião que fazia o Voo 447 da Air France do Rio de Janeiro para Paris consiste em um dos acidentes mais misteriosos da história da aviação.

Após meses de investigação, o que emergiu foi um quadro claro daquilo que ocorreu de errado.

A reconstrução dos terríveis quatro minutos finais da aeronave revelam problemas de segurança persistentes na aviação civil.

Uma pequena falha mecânica anunciou um desastre iminente. Mas a magnitude do erro foi tão discreta que os pilotos que ocupavam a cabine do Airbus A330 provavelmente mal o perceberam.

O Voo 447 da Air France estava no ar havia três horas e 40 minutos após ter decolado do Rio de Janeiro na noite de 31 de maio de 2009.

Fortes turbulências vinham sacudindo o avião por meia hora, e todos os passageiros, com exceção daqueles muito acostumados a voar, estavam acordados.

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  • Equipes de resgate recolhem pedaço da fuselagem do Airbus da Air France, que caiu no oceano

Subitamente o mostrador que indica a temperatura externa acusou uma elevação de vários graus, ainda que o avião estivesse voando a uma altitude de 11 mil metros e a temperatura lá fora não tivesse aumentado.

A leitura falsa foi provocada por cristais de gelo espessos que se formaram sobre o sensor localizado na parte externa da aeronave.

Esses cristais funcionaram como isolantes térmicos do detector. Ao que parece, foi neste momento que as coisas começaram a tomar um rumo desastrosamente errado.

Durante o voo através de nuvens tempestuosas sobre o Oceano Atlântico, uma quantidade cada vez maior de gelo formou-se sobre a aeronave.

No decorrer deste processo, outros sensores bem mais importantes foram danificados: os medidores de velocidade do ar, em forma de lápis, conhecidos como tubos pitot.

Especial Voo AF 447

Um após o outro, alarmes acenderam-se na cabine.

E, respectivamente, o piloto automático, o sistema automático de controle de turbina e os computadores de voo desligaram-se automaticamente. “Foi como se o avião estivesse sofrendo um acidente vascular cerebral”, afirma Gérard Arnoux, o presidente do sindicato dos pilotos franceses, o SPAF.

Os minutos finais do voo AF 447 tiveram início. Quatro minutos após o indicador de velocidade do ar ter falhado, o avião mergulhou no oceano, matando todas as 228 pessoas a bordo.

Poucos acidentes aéreos nos últimos anos deixaram tantos passageiros tão nervosos. “Como foi possível que um Airbus de uma companhia aérea aparentemente segura pudesse simplesmente desaparecer?”, questionavam eles.

Os passageiros da rota Rio-Paris ainda mostram-se intranquilos ao embarcar. Após o acidente, o número do voo foi trocado para AF 445.

Depois disso, vários passageiros que viajam frequentemente optaram por voar durante o dia para atravessar o Atlântico porque os pilotos podem reconhecer mais facilmente as frentes tempestuosas quando está claro.

Mais uma busca em grande escala dos gravadores de registros de voo, ou “caixas pretas”, deverá ter início nas próximas semanas.

Mais uma vez, uma área de cerca de 2.000 quilômetros quadrados de fundo montanhoso do oceano será varrida, parte dela com um submarino da cidade de Kiel, no norte da Alemanha. “Não devemos fazer especulações sobre as causas do acidente até que a busca seja concluída”, afirma Jean-Paul Troadec, o diretor da agência de investigação de acidentes aéreos francesas, a BEA.

Mas outros especialistas demonstram menos cautela ao tecer comentários. “Sabemos muito bem por que este acidente aconteceu”, afirma o sindicalista Arnoux.

“Um acidente como esse poderia ocorrer novamente”

No decorrer de vários meses de investigação, os especialistas coletaram indícios que lhes permitem reconstruir com relativa precisão o que ocorreu a bordo durante aqueles últimos quatro minutos.

A investigação também revelou uma falha de segurança que afeta todos os aviões a jato atualmente em serviço. “Um acidente como esse poderia ocorrer novamente”, avisa Arnoux.

Especialistas reconstruíram dezenas de incidentes envolvendo aeronaves Airbus para tentarem resolver o quebra-cabeças referente a este desastre específico.

Destroços e pedaços de aviões fornecem pistas cruciais para que se descubra por que a aeronave caiu. Investigadores de desastres aéreos também realizaram análises detalhadas das 24 mensagens automáticas de falhas que a aeronave enviou à sede da Air France por satélite no decorrer do acidente.

Uma mensagem em particular ,a última a ser transmitida antes do impacto ,poderia resolver o mistério que cerca o voo AF 447.

Uma meia-lua iluminava o Oceano Atlântico na noite de 31 de maio, proporcionando condições razoavelmente favoráveis para um voo através da zona de convergência intertropical.

É nesta zona que tempestades violentas se formam e colunas de nuvens grossas interpõem-se na rota como se fossem obstáculos em uma pista de corrida aérea.

Além do radar de bordo, a lua também ajuda os pilotos a identificar formações de nuvens perigosas e a tomar medidas apropriadas.

Na noite da tragédia, outros aviões desviaram-se da rota inicial e contornaram a zona perigosa.

Por que o voo AF 447 seguiu diretamente para o mortífero sistema tempestuoso? Seria possível que a tragédia tivesse começado antes mesmo de o avião ter decolado?

Aeroporto do Galeão, Rio de Janeiro, 18 horas no horário local: Preparação para a decolagem

O capitão Marc Dubois, 58, segue o plano de voo do AF 447: ele anota um peso inicial de 232,757 toneladas no computador de bordo, ou 243 quilogramas menos do que o peso máximo permitido para o A330.

As equipes de solo colocaram 10 toneladas de volumes, juntamente com as bagagens dos passageiros, no compartimento de carga do avião.

Dubois verificou que mais de 70 toneladas de querosene foram bombeados para os tanques de combustível. Isso parece muito, mas não é, já que o avião consome até 100 quilogramas de querosene por minuto. As reservas de combustível não proporcionam muita autonomia extra.

  • Airbus A330-200 saiu do Rio de Janeiro com destino a Paris

É somente por meio de um truque que o capitão é capaz de alcançar Paris com mais do que as reservas legais mínimas de querosene que precisam estar nos tanques do avião no momento da chegada à capital francesa.

Uma brecha na legislação permite que ele anote Bordeaux – que fica várias centenas de quilômetros mais perto do que Paris ,como o destino fictício durante os seus cálculos de combustível.

“Por causa disso, não seria mais possível fazer nenhum grande desvio”, explica Gerhard Hüttig, piloto da Airbus e professor do Instituto Aeroespacial da Universidade Técnica de Berlim.

Na pior das hipóteses, o piloto teria que parar e reabastecer o avião em Bordeaux, ou talvez até mesmo em Lisboa. “Mas os pilotos relutam em fazer algo como isso”, acrescenta Hüttig.

Afinal, trata-se de algo que encarece o voo, provoca atrasos e desagrada os diretores da companhia aérea.

Após a decolagem, Dubois conduz rapidamente o avião para uma altitude de cruzeiro de 10,6 mil metros, uma altitude conhecida como “nível de voo 350”, informou o piloto. Essa seria a sua última comunicação com o mundo exterior.

Primeiro minuto: os sensores falham

É difícil imaginar uma situação mais precária, até mesmo para pilotos com nervos de aço: voar através de uma violenta tempestade que sacode o avião inteiro enquanto a luz de indicação principal começa a piscar no painel de instrumentos à sua frente.

Um alarme agudo soa, e toda uma série de mensagens de erro de repente começa a piscar no monitor de voo.

A tripulação imediatamente reconhece que os três indicadores de velocidade do ar exibem valores diferentes um do outro. “Uma situação como essa termina bem em cem ocasiões, mas mal em uma”, afirma Arnoux, ele próprio piloto de um Airbus A320.

O piloto responsável conta agora com muito pouco tempo para escolher o ângulo de voo e a potência de turbina corretos.

Esta é a única maneira de ele garantir que continuará voando em um curso estável e que manterá um fluxo de ar contínuo pelas asas caso não saiba a velocidade real do avião.

O copiloto precisa, portanto, verificar os dois valores seguros na tabela contida no manual relevante – pelo menos assim diz a teoria.

“Na prática, o avião é sacudido com tanta intensidade que você tem dificuldade para encontrar a página certa no manual, e muito menos para decifrar o que está escrito nela”, diz Arnoux. “Em situações como essa, é impossível descartar a ocorrência de erros”.

Perigo de acúmulo de gelo

Os especialistas em tecnologia aeroespacial há muito sabem como é perigosa a falha dos indicadores de velocidade do ar devido ao acúmulo de gelo nos tubos pitot. Em 1998, por exemplo, um Airbus da Lufthansa que voava em círculos sobre o Aeroporto de Frankfurt perdeu o seu indicador de velocidade do ar, e uma potencial tragédia só foi evitada quando o gelo derreteu à medida que o avião desceu.

Naquela ocasião, os investigadores de acidentes aéreos alemães do Birô Federal Alemão de Investigação de Acidentes com Aeronaves (BFU, na sigla em alemão) em Braunschweig, exigiram que as especificações dos tubos pitot fossem modificadas para possibilitar o “voo irrestrito em condições severas de acúmulo de gelo”.

Em 2005, a companhia aeroespacial francesa Thales, que fabrica os tubos pitot utilizados no voo AF 447, criou um grupo de projeto chamado Adeline para buscar novas soluções técnicas para o problema.

Segundo um documento da Thales, a perda de indicadores de velocidade do ar “poderia provocar quedas de aeronaves, especialmente em casos nos quais os sensores sofressem acúmulo de gelo”.

A fabricante de aviões Airbus estava ciente dos problemas com os tubos pitot da Thales. Uma lista interna da empresa revela que, somente entre maio e outubro de 2008, houve nove incidentes envolvendo esses equipamentos.

Mais de dois meses antes do desastre da Air France, a questão foi abordada em uma reunião entre a Airbus e a Agência Europeia de Segurança da Aviação (EASA). No entanto, a EASA decidiu não proibir o uso dos tubos de pitot especialmente susceptíveis a erros fabricados pela Thales.

Na verdade, o problema com os indicadores de velocidade do ar são mais profundos. Até hoje, as organizações relevantes para a concessão de licenças ainda só testam os tubos pitot até uma temperatura mínima de 40ºC negativos e uma altitude máxima de 9.000 metros.

Essas especificações completamente antiquadas remontam a 1947 – antes, portanto, do surgimento dos aviões a jato.

Além do mais, a maioria dos incidentes ocorridos nos últimos anos, incluindo aquele envolvendo o fatídico voo AF 447, ocorreu a altitudes superiores a 10 mil metros.

Segundo minuto: Perda de Controle

Será que os pilotos do voo AF 447 sabiam das falhas de indicadores de velocidade do ar experimentadas por colegas em nove outras aeronaves pertencentes à sua própria companhia aérea?

A Air France de fato distribuiu uma nota sobre isso a todos os seus pilotos, apesar de ela fazer parte de várias centenas de páginas de informações que os pilotos encontram nas suas caixas de e-mail todas as semanas. Uma coisa é certa: os pilotos do AF 447 nunca fizeram em um simulador de voo um treinamento referente a uma falha do indicador de velocidade do ar a grande altitude.

A situação na cabine tornou-se ainda mais difícil pelo fato de o computador de voo do A330 ter se colocado em uma espécie de programa de emergência.

O cérebro digital do avião geralmente supervisiona todas as atividades dos seus pilotos ,pelo menos enquanto os seus sensores fornecem dados confiáveis. Sem uma leitura de velocidade, o computador meio que joga a toalha, o que não torna as coisas fáceis para os pilotos.

“Subitamente o piloto tem uma sensação totalmente diferente aos controles”, explica o especialista em voo Hüttig.

A grande complexidade dos sistemas do Airbus fazem com que seja difícil controlá-lo em fases críticas do voo. Seria mais fácil para os pilotos se estes pudessem simplesmente desligar o computador durante situações críticas, como é possível fazer nos aviões da Boeing.

Os tubos pitot às vezes também falham em aeronaves Boeing. Quando “Der Spiegel” entrou em contato com a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA), o órgão que fiscaliza os voos civis naquele país, ela confirmou que houve oito incidentes do gênero em aviões Boeing 777, três em um 767, um em um 757 e um outro em um Jumbo (747).

A Boeing está atualmente conduzindo um estudo sobre os efeitos na segurança provocados pelo “congelamento a grande altitude dos tubos pitot em todos os modelos da sua linha de produção”, diz a porta-voz da FAA, Alison Duquette.

Entretanto, a FAA não identificou “nenhuma situação referente à segurança” durante esses incidentes.

Poderia então o computador de voo, que é difícil de ser controlado durante emergências, ter de fato contribuído para a perda de controle por parte dos pilotos do Airbus? Os especialistas em aviação Hüttig e Arnoux estão exigindo uma investigação imediata no sentido de determinar como o sistema da Airbus reage a uma falha dos seus sensores de velocidade do ar.

Reação inesperada

No início de março, o BFU da Alemanha deverá publicar os resultados da sua investigação do quase acidente com um avião A320 da Lufthansa ocorrido dois anos atrás no Aeroporto Fuhlsbüttel, em Hamburgo, um relatório que sem dúvida será desconfortável para a Airbus.

Naquele incidente, uma reação inesperada do computador de voo fez com que a asa esquerda do avião tocasse a pista durante a aterrissagem. A BFU deverá emitir 12 recomendações de segurança, algumas das quais relativas aos programas de computador da Airbus.

Até o momento, ainda não se sabe quem estava nos controles do avião da Air France nos seus minutos finais. Teria sido o experiente comandante de voo, Dubois, ou um dos dois primeiro-oficiais? Geralmente, o capitão recolhe-se à sua cabine para descansar um pouco após a decolagem.

De fato, certas evidências sugerem que o capitão não estava no assento de comando no momento do desastre: o corpo dele foi resgatado no Oceano Atlântico, enquanto que os dos dois copilotos desceram até o fundo do oceano, presos aos seus assentos. Isso sugeriria que Dubois não estava usando cinto de segurança.

Ao contrário do que ocorre em muitas outras companhias aéreas, na Air France é uma prática comum o menos experiente dos dois copilotos sentar-se na cadeira do capitão quando este não a está ocupando.

O copiloto experiente permanece no seu assento do lado direito da cabine de comando. Sob circunstâncias normais, não há nenhum problema, mas em situações de emergências esta prática pode aumentar a probabilidade de um desastre.

Consequentemente, foi provavelmente o terceiro piloto da aeronave, Pierre-Cédric Bonin, um arrojado iatista, que teria conduzido a aeronave para o seu destino fatal.

A mulher de Bonin também estava a bordo, mas os dois filhos do casal estavam em casa com o avô.

Terceiro minuto: Queda Livre

Pouco depois da falha do indicador de velocidade do ar, o avião ficou fora de controle e perdeu a sustentação (um processo conhecido como “stall”). É de se presumir que o fluxo de ar sobre as asas não foi capaz de gerar “lift”, ou pressão aerodinâmica para cima.

Arnoux, do sindicato dos pilotos, acredita que o avião caiu em direção ao mar a uma velocidade de cerca de 43 metros por segundo (151 km/h) – o que é quase a mesma velocidade de um paraquedista em queda livre.

A versão de Arnoux para os acontecimentos baseia-se em parte no momento da transmissão de uma mensagem de erro referente à equalização da pressão entre a cabine e o exterior do avião, o que geralmente acontece a 2.000 metros de altitude. Se o avião tivesse mergulhado de nariz, esse alarme teria sido disparado antes.

“Ele levou quase exatamente quatro minutos para descer em queda livre da altitude de cruzeiro até o nível do mar”, explica Arnoux.

De acordo com este cenário, os pilotos teriam sido obrigados a observar impotentes os acontecimentos enquanto o avião perdia a sustentação.

Essa teoria é apoiada pelo fato de o avião ter permanecido intacto até o fim. Tendo em vista toda a turbulência, é portanto possível que os passageiros não tenham sabido o que estava acontecendo.

Além do mais, as comissárias de bordo não se encontravam sentadas nos seus assentos de emergência, e os coletes salva-vidas permaneceram intocados.

“Não existe nenhuma evidência de que os passageiros tenham sido preparados para um pouso de emergência”, afirma Jean-Paul Troadec, o presidente da BEA.

Essas inscrições aparentemente insignificantes nos relatórios de alerta transmitidos pela aeronave revelam como os pilotos lutaram desesperadamente para manter o controle sobre o avião. Elas dizem, “F/CTL PRIM 1 FAULT" e "F/CTL SEC 1 FAULT".

Esse trecho meio enigmático sugere que os pilotos tentaram desesperadamente reiniciar o computador de voo. “É como tentar desligar o motor do seu carro e ligá-lo de volta em uma estrada durante a noite a 180 quilômetros por hora”, diz Arnoux.

A tentativa de ressuscitar o computador de bordo não teve sucesso.

Durante os últimos 600 metros que antecederam o impacto, os esforços dos pilotos teriam sido acompanhados das ordens aterrorizantes emitidas por uma voz masculina automatizada: “Terrain! Terrain! Pull up! Pull up!” (“Solo! Solo! Suba! Suba!”).

Quarto minuto: Impacto

Mais de 200 toneladas de metal, plástico, querosene e corpos humanos chocaram-se contra o mar.

A enorme intensidade do impacto é descrita no relatório pericial, que descreve com detalhes gráficos como pulmões foram dilacerados e ossos fragmentados em toda a extensão.

Alguns passageiros foram cortados ao meio pelos seus cintos de segurança.

Grande parte dos destroços que foi recuperada tem no máximo um metro quadrado.

As linhas de fissura tem um ângulo bem visível. Isso demonstra que o avião não mergulhou verticalmente no mar, mas sim que chocou-se contra a água como uma mão aberta, com o nariz da aeronave elevado em um ângulo de cinco graus.

Especialmente interessante é a grande cauda do avião, que foi retirada do oceano pela marinha brasileira.

Ela foi arrancada da sua base e arremessada para frente.

A partir disto é possível deduzir que o movimento do A330 foi interrompido subitamente com uma força mais de 36 vezes superior àquela da gravidade, ou 36g.

Embora a Airbus continue a minimizar a significância dos tubos pitot na queda do seu A330, depois do desastre os engenheiros da companhia desenvolveram novas tecnologias que detectarão a falha dos sensores de velocidade do ar antes mesmo da decolagem.

A Airbus registrou uma patente para esta tecnologia nos Estados Unidos em 3 de dezembro de 2009.

Segundo o texto da inscrição para a patente, erros nas medições de velocidade “podem ter consequências catastróficas”.

Há vários anos a Airbus oferece aos seus clientes um programa especial de segurança , chamado “Buss” - a um custo de 300 mil euros (R$ 743 mil) por aeronave. Se o indicador da velocidade do ar falhar, esse software mostra ao piloto o ângulo segundo o qual ele deve orientar o avião.

Até o momento a Air France vem optando por não investir neste equipamento opcional extra para a sua frota.

Fonte:UOL Notícias/por:Gerald Traufetter-Matéria publicada em 26/02/2010

30/06/2009

DOIS AIRBUS SOFREM ACIDENTE EM MENOS DE UM MES

EM MENOS DE UM MES DOIS AIRBUS SOFREM ACIDENTE GRAVE


Um Airbus A310-300, de matrícula 7O-ADJ e que cumpria o voo IY-626 da companhia aérea Yemania, caiu com 142 passageiros e 11 tripulantes por volta da 1h00 (horário local) de hoje no Oceano Índico.

A Yemenia usou um avião diferente, um A330, para buscar os passageiros em Paris e Marselha antes de transferi-los para o A310-300 na capital do Iêmen, Sanaa.



O avião decolou às 21h45 (horário local) de Sana’a, capital do Iêmen, com destino a Comori, capital da União de Comoros. Das 154 pessoas, apenas uma criança de cinco anos foi resgatada com vida do oceano e, segundo autoridades, a aeronave atravessava uma zona de mau tempo no momento da queda.


Esse acidente ocorreu menos de um mês da queda do A330 da Air France no Oceano Atlântico, que desapareceu dos radares quando estava a aproximadamente 300km de distância da costa brasileira.

Do G1, em São Paulo







A aeronave também caiu durante a madrugada, quando enfrentava uma região de mau tempo. Todos os 228 ocupantes da aeronave faleceram no acidente.

Fonte:Revista Asas online/G1.com

29/06/2009

Comunicação sobre acidente AF447 é alvo de críticas

Comunicação sobre acidente com voo AF447 é alvo de críticas

Air France flight AF447 crash



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A comunicação de informações relativas à investigação sobre o acidente com o voo 447 da Air France entre Rio e Paris vem sendo criticada no Brasil e na França por uma parte da comunidade aeronáutica e das famílias das vítimas, para as quais a Air France e o BEA vêm minimizando a responsabilidade das sondas Pitot na catástrofe.

O Escritório de Investigações e Análises (BEA, na sigla em francês), que até agora deixou vazar poucos elementos sobre o avanço das investigações, vai divulgar na quinta-feira um primeiro relatório sobre a investigação, um mês após o acidente. O Airbus A330 da Air France caiu no oceano Atlântico em 31 de maio, deixando 228 mortos, dos quais 72 franceses.

"Todas as respostas serão fornecidas a partir do momento em que estiverem disponíveis. Os únicos elementos sobre os quais podemos nos basear são os que levamos a público", repetiu o presidente do BEA, Paul-Louis Arslanian, precavendo-se contra "aqueles que constroem explicações com base nesse conjunto instável".

O site da Internet Eurocockpit (www.eurocockpit.com), alimentado por pilotos, mecânicos, funcionários de navegação e controladores aéreos, propôs diversas explicações.

Com base nas 24 mensagens do sistema automático (Acars) transmitidas nos últimos quatro minutos de voo do A330 e que o site diz ter recuperado, ele afirma que não há dúvida alguma quanto ao fato de que o congelamento das sondas Pitot tornou a aeronave impossível de pilotar à noite e numa zona de tempestade.

As mensagens Acars não foram divulgadas na íntegra pela BEA. Numa coletiva de imprensa dada em 6 de junho, Paul-Louis Arslanian mostrou apenas extratos das mensagens, que podiam ser interpretados de diversas maneiras.

Incoerência nas velocidades
A análise dessas mensagens, diz o BEA, indica realmente uma "incoerência nas diferentes velocidades medidas", mas esta não seria forçosamente uma causa do acidente.

A Air France e a Airbus descartaram a tese das sondas Pitot em suas intervenções sobre o assunto. O diretor geral da Air France, Pierre-Henri Gourgeon, "não está convencido" de que elas tenham tido envolvimento no acidente.

"O problema das sondas não pressagia as causas reais do acidente", diz seu homólogo da Airbus, Fabrice Brégier.

Para a BEA, a tempestade atravessada pelo A330 entre o Rio de Janeiro e Paris é um elemento tão válido quanto a perda de informações sobre a velocidade, porque foi "confirmado".

As condições meteorológicas "muito difíceis" foram mencionadas por Arslanian desde 3 de junho e lembradas em cada encontro com a imprensa.

Esse elemento é igualmente citado pelo diretor do Museu do Ar e do Espaço de Le Bourget, Gerard Feldzer, em artigo publicado no Le Monde em 14 de junho.

"Como e quando o avião entrou nessa tempestade?", perguntou o ex-comandante de bordo e instrutor de Airbus na Air France. Os tubos Pitot "não podem explicar sozinhos as razões da tragédia", ele acrescentou.

Menos de dez horas após o acidente, a Air France, pelo seu diretor de comunicação, aventou a probabilidade de um relâmpago ter atingido o avião. Os sindicatos de pilotos lembram que nenhum acidente na história da aviação civil foi atribuído a um relâmpago e que um avião é atingido por relâmpago em média uma vez a cada 1,5 mil horas de voo.

Em 6 de junho, depois de fazer uma análise da situação na zona no momento da passagem do avião, a Météo France declarou que as condições meteorológicas gerais tinham sido "normais para um mês de junho".

Um meteorologista norte-americano, Tim Vazques (www.weathergraphics.com/tim/af447) observou que nenhum clarão de relâmpago foi observado na zona, e o mesmo foi dito por um co-piloto do voo AF 459 de São Paulo a Paris que passou pelo local 20 minutos após o AF 447.

O comandante desse voo disse ao Le Figaro que "os mapas por satélite indicavam uma zona de tempestade, mas nada de preocupante". Para evitar uma massa de nuvens particularmente ativa, ele precisou, entretanto, manipular seu radar, coisa que nem todos os pilotos fazem sistematicamente.

"Filtragem" das informações
Quando, após as primeiras análises das mensagens automáticas, a Airbus lembrou os procedimentos a serem seguidos quando as indicações de velocidade contêm erros, os pilotos se revoltaram. Esse lembrete foi visto como um questionamento da atuação do comandante do voo AF 447.

O sindicato minoritário Alter exigiu a substituição das sondas Pitot em todos os aviões A330 e A340, o que foi feito muito rapidamente pela Air France, mas sem comunicar o fato ao sindicato ou à imprensa. O Alter e a mídia tomaram conhecimento da substituição das sondas pelo sindicato majoritário dos pilotos, o SNPL.

Um dos advogados da associação de famílias das vítimas disse que as famílias não estão chocadas com a escassez de informações divulgadas sobre a investigação, mas com a falta de acompanhamento psicológico.

"Posso compreender o fato de o BEA não divulgar informações. Posso compreender as tentativas de fazer com que isso não tenha desdobramentos comerciais. Humanamente, porém, não houve apoio", disse o advogado Sylvain Maier.

Stéphanie Bottai, advogada da primeira família a ter aberto uma ação cível, afirmou que "certas famílias de vítimas sentem que nem toda a verdade vem sendo dita" e "constatam uma manifesta filtragem das informações".

Cerimônia homenageia vítimas do voo 447



Em um ato ecumênico, os militares jogaram flores no mar para lembrar as 228 pessoas que estavam a bordo do avião da Air France. Até agora, 51 corpos foram encontrados no mar.

Fonte:G1.com

28/06/2009

Airbus da Scandinavian Airlines faz pouso de emergência

Airbus da Scandinavian Airlines faz pouso de emergência nos EUA


Scandinavian Airlines A330-343



Um A330 que ia de Nova Jersey, nos EUA, para Copenhagen, na Dinamarca, foi obrigado a fazer pouso de emergência no estado de Maine, por causa de um forte cheiro de queimado após a decolagem.

Fonte:G1.com

27/06/2009

Órgão dos EUA investiga falha em aeronaves da TAM

Órgão dos EUA investiga falha em sensores de Airbus da TAM

Sensores teriam apresentado falhas em voo entre Miami e São Paulo no dia 21 de maio.

Fonte:G1.com

Da BBC

A Agência Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB, na sigla em inglês) anunciou, na noite de quinta-feira (25), que está investigando dois incidentes recentes envolvendo aviões Airbus A330 - sendo um deles da TAM.

O voo da companhia aérea brasileira que está sendo investigado é um que fazia a rota entre Miami e São Paulo no dia 21 de maio.

O outro incidente teria ocorrido na última terça-feira, entre Hong Kong e Tóquio, em um voo operado pela Northwest Airlines, que pertence à companhia americana Delta.

Nos dois casos, o sistema de sensores de velocidade apresentaram falhas durante o voo - um problema que se suspeita ter ocorrido com o Airbus A330 da Air France que caiu no Oceano Atlântico no último dia 31 de maio, com 228 pessoas a bordo.

Sistema de back-up

Segundo um comunicado da NTSB, citado pelos principais jornais americanos, os pilotos do avião da TAM inicialmente "perceberam uma queda abrupta na temperatura externa indicada, seguida de uma perda das informações de velocidade primária e altitude, que durou cerca de cinco minutos".

Ainda de acordo com a agência americana, o piloto automático se desconectou, e a tripulação brasileira teve de recorrer a instrumentos de back-up durante alguns minutos.

Já o voo da Northwest Airlines viveu "um incidente possivelmente semelhante", disse o comunicado da NTSB, que não forneceu mais detalhes sobre este voo.

Não houve feridos nem danos às aeronaves nos dois casos.

Troca

Após o acidente do dia 31 de maio, a Air France anunciou que ia acelerar o programa de trocas do sensores de velocidade de sua frota de A330 e A340, iniciado em abril.

A Airbus informou, em entrevista à BBC Brasil, que os novos sensores de velocidade dos aviões da empresa já estavam disponíveis desde 2006 e que uma recomendação para a troca desse equipamento também havia sido feita no mesmo ano, apesar de não ser obrigatória.

Os sensores, chamados "Pitot", medem a pressão do ar e permitem informar a velocidade do avião. Os cálculos da velocidade são utilizados por vários sistemas do avião. Os modelos A330 possuem três sistemas "Pitot" independentes.

Segundo a agência de notícias americana Bloomberg, nos Estados Unidos, as companhias United Airlines, Delta e US Airways, além da irlandesa Air Lingus, teriam anunciado que acelerariam a troca dos sensores suas frotas de Airbus.

19/06/2009

Segurança Aérea Europeia não tinha provas para pedir a troca dos sensores

Segurança Aérea Europeia não tinha provas para pedir a troca dos sensores de velocidade



Agência Europeia de Segurança Aérea disse que não tinha elementos suficientes para exigir a troca dos sensores de velocidade, os tubos de Pitot, em aviões da Airbus.

Fonte :G1.com

16/06/2009

Air France denuncia sabotagem em voo AF-447

Air France denuncia sabotagem em detector de fumaça de avião

Problema foi descoberto por piloto em Dusseldorf, na Alemanha.
Empresa confirmou acreditar em ato deliberado.

Da Reuters, em Paris


A Air France apresentou uma denúncia formal à polícia de transporte aéreo francesa após suspeitar que o detector de fumaça de uma de suas aeronaves foi deliberadamente quebrado, disse a companhia aérea nesta terça-feira (16).

A Air France disse ter feito a denúncia perante a polícia aérea francesa (GTA, na sigla em francês) no dia 9 de junho após descobrir o problema em uma aeronave em Dusseldorf, na Alemanha.

"Uma avaria em um detector de fumaça foi descoberta por um piloto quando o avião estava no solo", disse um porta-voz da Air France, acrescentando que a empresa acredita em um "ato maldoso".

Um porta-voz da GTA disse que esta é uma teoria "possível".

A queixa foi divulgada inicialmente pelo site da revista semanal francesa "Le Point" na Internet.

Sem citar fontes, a "Le Point" informou que um fax enviado para investigadores por técnicos relatava que uma fiação no Airbus A318 fora danificada com um instrumento cortante.

Investigadores de acidentes aéreos estão tentando identificar as causas da queda de um avião da Air France no oceano Atlântico, que decolou do Rio de Janeiro no dia 31 de maio com destino a Paris. O Airbus A330, que fazia o voo AF 447, levava 228 pessoas a bordo.

A agência francesa de acidentes aéreos disse ser muito cedo para apontar qualquer causa para o acidente, alegando ter apenas duas certezas: que o avião atravessou uma tempestade antes do acidente e que a leitura de velocidade estava incorreta.