10/01/14

COPA DO MUNDO - Azul fixa teto de R$ 999 para tarifas na Copa



 Azul fixa teto de R$ 999 para tarifas na Copa 




 Por Marina Falcão | De Barueri (SP) A Azul, terceira maior companhia aérea do país, decidiu fixar um teto de R$ 999 para suas tarifas, por trecho, durante a Copa do Mundo, que vai de 12 de junho a 13 de julho. 


 Segundo o presidente da empresa, o empresário David Neeleman, a definição de um preço máximo vai gerar perda de R$ 20 milhões para a Azul em receita. "É um ano em que vamos sofrer. Mas estamos enxergando isso como um investimento em nossa imagem", afirmou Neeleman ontem, na sede da empresa em Alphaville, bairro localizado em Barueri (SP). 

 A TAM informou que vai esperar a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) se pronunciar, no próximo dia 15, sobre as solicitações de voos extras para a Copa, antes de anunciar qualquer tipo de ação tarifária específica para o evento.

 A Gol também vai aguardar o dia 15 e a Avianca não comentou o assunto. Ao todo, a Anac avalia 1.523 pedidos de voos das empresas para a primeira fase da Copa, das quais 310 são da Azul. O teto tarifário da Azul será implementando em passagens para o período entre 12 de junho e 13 de julho.

 O limite de preço já está funcionando para passagens compradas agora, independentemente de terem escalas. 

 O preço de um bilhete da Azul de São Paulo a Recife para sexta-feira, dia 10 de janeiro (período de alta temporada), por exemplo, supera R$ 1 mil o trecho, segundo simulação no site da companhia realizada ontem. Esse valor poderia subir ainda mais durante a Copa do Mundo, já que ambas são cidades-sedes do evento, e devem receber elevado fluxo de turistas nacionais e internacionais. 

A média de tarifas no mercado doméstico foi de R$ 300 no primeiro semestre de 2013, segundo a Anac. John Rodgerson, diretor financeiro da Azul, disse que houve uma intensa discussão na companhia sobre a fixação da tarifa teto. "A grande questão era: como fazer isso se não sabemos ainda como se comportarão o dólar e o preço do combustível?", disse o executivo.

 A decisão da companhia, segundo Neeleman, foi na linha de não "não chatear" governo e consumidor por causa de R$ 20 milhões. "É um evento único", afirmou o empresário. 

 O governo tem dito que considera a possibilidade de abrir o setor aéreo nacional às companhias estrangeiras, caso haja tarifas abusivas durante a competição. Mas segundo o Valor apurou, essa hipótese é bastante remota. 

 O ano da Copa pode trazer alta exposição da marca Azul, mas não necessariamente grandes lucros. Desde já, a companhia pretende reduzir em 20% o seu número de voos diários durante o evento - são entre 870 e 900 voos, de acordo com a época do ano. Isso porque aproximadamente 60% dos voos da Azul são referentes a viagens de negócios, que devem diminuir durante a competição esportiva. "No fim das contas, vai sobrar avião parado", disse o empresário. 

 A Azul, que comprou a Trip em maio, tem hoje frota de 132 aeronaves. No ano passado, os planos da Azul de abrir o capital na bolsa brasileira, em transação estimada em cerca de R$ 1 bilhão, foram frustrados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). 

 O órgão regulador não aprovou a estrutura societária da companhia, cujas ações preferenciais (com direito a voto) recebem dividendo equivalente ao de 75 ações ordinárias. A Azul recorreu do veto da autarquia em novembro e ainda aguarda retorno da autarquia. De acordo com o diretor financeiro da Azul, a companhia não vai abrir mão de sua atual estrutura para obter aval da CVM para realizar sua oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) na BM&FBovespa.

 Segundo o executivo, o órgão regulador brasileiro está "entendendo melhor o modelo da Azul" e também está "bastante sensível" ao caso da companhia. "Só chegamos aonde chegamos por causa da nosso nível de governança e estrutura", disse. Rodgerson não descartou a possibilidade da Azul fazer uma oferta de ações no exterior, mas disse que o grande desejo da companhia é abrir o capital no Brasil. Ele afirmou que a captação de recursos em bolsa não tem caráter de urgência. 

 Questionado sobre a possibilidade de comprar a companhia aérea portuguesa TAP, Neeleman negou que tenha planos nesse sentido. 

 Fonte:Valor Econômico/ (Colaborou Daniel Rittner, de Brasília)

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