10/01/13

SEGURANÇA DE VOO - Incidente com fogo num 787 da Japan Airlines reacende falta de segurança nas novas aeronaves Dreamliner


Incidente com fogo num 787 da Japan Airlines reacende falta de segurança nas novas aeronaves Dreamliner da Boeing 


 Um Boeing 787 Dreamliner da Japan Airlines que estava vazio e parado num gate no Aeroporto Internacional Boston Logan teve fogo na traseira na segunda-feira, dia 7 de janeiro, quando a bateria da unidade de potência auxiliar (APU) explodiu por volta das 10:30hs hora local. 


O incidente, ocorrido logo após os passageiros desembarcarem, reavivou as preocupações de segurança sobre o novo jato fabricado com materiais compostos e chamou a atenção dos investigadores federais. 

 O fogo foi detectado quando um mecânico foi realizar a inspeção pós-voo de rotina no jato e descobriu fumaça na cabine, relatando imediatamente as autoridades do aeroporto. 

A porta-voz da Japan Airlines, Carol Anderson, informou mais tarde que a fumaça não foi descoberta no cockpit, e sim na parte traseira da cabine, que foi confirmada posteriormente por outra equipe de manutenção, que também detectou fumaça fora da aeronave. 

 A Administração Federal de Aviação (FAA) e a National Transportation Safety Board (NTSB) estão analisando o que pode ter causado o problema, que ocorre apenas algumas semanas após a Boeing passar por uma série de outros problemas elétricos que brevemente suspenderam os voos de três dos aviões. O novo jato também sofreu uma falha no motor e vazamento de combustível nos 14 meses que esteve em serviço.

 O incêndio elétrico é preocupante, em parte, porque o 787 depende fortemente de energia elétrica para acionar os sistemas embarcados, que em outros modelos de jatos são acionados pela pressão do ar gerado pelos motores.

O novo jato também sofreu um incêndio elétrico durante um vôo de teste, levando a uma reformulação dos sistemas elétricos. O porta-voz da Boeing, Marc Birtel, disse na segunda-feira: “Estamos cientes do evento e estamos trabalhando com nossos clientes.” Em julho passado, a FAA investigou um incidente onde um motor do 787 fabricado pela General Electric explodiu no solo na Carolina do Sul, provocando mudanças na forma como os motores são fabricados, mantidos e inspecionados.



 Um motor semelhante falhou num Boeing 747 em Xangai, em setembro.

 Os problemas elétricos no Dreamliner começaram no dia 4 de dezembro, quando um voo da United Airlines de Houston para Newark, New Jersey, fez um pouso de emergência depois que um dos geradores de energia falhou.

 A United disse mais tarde que um painel elétrico estava com problema. No dia 13 de dezembro, a Qatar Airways disse que havia mantido no solo um dos seus três jatos 787 por causa do mesmo problema que a United havia experimentado. No dia 17 de dezembro, a United disse que um segundo 787 na sua frota tinha desenvolvido problemas elétricos.

 Também em dezembro, a FAA ordenou inspeções nos 787 depois que vazamentos de combustível foram encontrados em dois aviões operados por companhias aéreas estrangeiras. Os vazamentos foram devido a linhas de acoplamentos de combustível montadas incorretamente, o que poderia resultar na perda de potência, fogo ou falha no motor, disse a FAA. No último incidente, uma equipe de bombeiros determinou que uma bateria usada para alimentar os sistemas elétricos do avião, quando os motores não estão funcionando, tinha explodido. 

O mecânico foi a única pessoa a bordo do avião quando a fumaça foi descoberta e ninguém ficou ferido pelo fogo. “Os passageiros não estavam em perigo, este evento tinha acontecido pelo menos 15 minutos depois de terem desembarcado”, disse o chefe dos bombeiros de Massport, Bob Donahue. 

 No final de dezembro, o presidente-executivo da Boeing Jim McNerney disse que o 787 não tem experimentado um número incomum de problemas para uma nova aeronave, chamando os problemas “de fatos normais.” Mas o incêndio elétrico de segunda-feira levantou questões sobre esse ponto de vista e é provável que a Boeing fique altamente suscetível a passar por outros problemas na aeronave. 

 Os sistemas de degelo nas asas e o ar condicionado na cabine do 787 são elétricos. Se a ventilação falhar num vôo ou a cabine ficar cheia de fumaça, os pilotos teriam que descomprimir a cabine para conseguir ar e rapidamente mergulhar a 10.000 pés, onde os níveis de oxigênio e as temperaturas são propícias ao ser humano, disse Leake, o analista do Mercado da BB andT Capital, que é também um ex-piloto comercial e militar. Ele disse que normais problemas para um novo avião podem ser considerados o desligamento de um motor num gate, trem de pouso preso ou um lavatório com defeito. 

Em contraste, um motor quebrado e um fogo que enche a cabine de fumaça são “todos os problemas que, infelizmente para a Boeing, podem ter consequências graves”. “Qualquer problema elétrico nos próximos 30 dias, por qualquer razão, o que seria um problema normal nessa fase, vai ser um grande problema”, acrescentou. “Isso cria um problema de percepção.” 

 Fonte: Reuters; Chicago Tribune Via:–  Cavok/foto|:CAVOK

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