28/05/2012

O Menino Piloto

O Menino Piloto
A interessante história do menino, de 13 anos de idade, que eletrizou a imprensa na década de 1930. 


 Neste artigo, procura-se reavivar o curioso, quase fantástico, capítulo da nossa história aeronáutica e afirmar a intenção do INCAER de divulgar o conhecimento preservado nas prateleiras da biblioteca deste Instituto aos nossos assinantes e, por fim, homenagear o ilustre cidadão e oficial da Força Aérea Brasileira, Cel Av Hélio Marincek. 



 “Hélio Marincek, símbolo da nova geração brasileira. Pilotando, sozinho, o seu avião “Fairchild”, fez o percurso São Paulo - Rio de Janeiro como se uma longa prática o sagrara aviador. Tem a vocação do ar. O destino lhe deu a grande pátria, ensinou-lhe o caminho a dominá-lo. Paira sobre a mocidade do Brasil, a obra de um grande brasileiro; de um gênio Santos-Dumont que nos legou o símbolo do progresso – a aviação.”
(a manchete estampada no exemplar nº 140 de julho de 1939 do periódico ASAS.)

Ainda neste ano, no Diário da Noite de 15 de julho, assim discorria Austregésilo de Athayde: 


“O rapaizinho (sic) desceu sorrindo de sua máquina de 
voar. Viajara 500 Km, por sobre montanhas e mares, como se 
apenas houvesse, no seu cavalinho piquira, dando uma volta na 
fazenda... Hélio Marinceck é um exemplo da audácia moderna... 
Ele monta aviões como nós montávamos bicicletas... Dá um 
exemplo de virilidade que deve ser moralmente recompensado.”



Filho da Srª Antonieta e de Antônio Marincek, Diretor da Escola de Aviação Civil Marinceck, em Uberlândia, concluiu o Curso de Pilotagem com apenas treze anos e, no dia 14 de maio de 1939, aos 14 anos de idade, durante uma festa promovida pela escola, executou uma série de manobras acrobáticas. Devido à pouca idade, não teve seu brevet expedido na época.


Várias manchetes, em muitos jornais da época, devido ao interesse da sociedade pelo desenvolvimento da 
aviação no país e também pela inusitada idade (13/14 anos) com que solou e realizou o seu reide aéreo Rio/São 
Paulo (1939), deram destaque ao novato aviador.


A sua fama se espalhou pelo Brasil, e Marincek era recebido como verdadeira personalidade pública, admirado e querido dos populares e do governo.

Após uma exibição aérea, o “piloto-menino” foi fotografado junto ao seu pai, Antônio, ao General Iasauro  
Reguera e a outras autoridades que assistiram às acrobacias no Campo dos Afonsos.







Seu irmão Homilton, com apenas 12 anos de idade, começou a voar com ele, tornando-se a dupla mais  
jovem de pilotos da história. Um fato curioso é que a instituição de recordes do Guiness Book achou por bem não 
reconhecer publicamente o recorde, com a  reocupação de não estimular pessoas muito jovens a voar e causar  
um possível acidente com crianças! Cabe notar que esse recorde jamais será batido, pois as legislações não mais  
permitem voos solos a menores.




Recebido pelo presidente Getúlio Vargas, durante uma conversa, este disse que gostaria de realizar um voo 
com Marincek. O engenheiro do DAC, que acompanhava o diálogo, interveio exclamando: – Presidente, ele é um 
menino! Ao que respondeu Getúlio: – NÃO, ele é um aviador...







O Ministro da Guerra, General Eurico Gaspar Dutra, ofereceu a Hélio e a seu irmão Homilton, os dois 
pequeninos ases da aviação, matrículas no Colégio Militar.  









Feliz pelo prêmio conquistado, declarou: – “tudo farei para corresponder às esperanças depositadas em mim. Quero ser 
útil ao meu Brasil”.









Em 1958, foi agraciado com a comenda do Mérito Santos-Dumont, fixada no seu uniforme pelo Maj Brig do 
Ar Ignácio de Loyola Daher. 



No ano seguinte, é agraciado com a Ordem do Mérito AeronáuticoM.
arincek entrou para a Força Aérea Brasileira e foi declarado Aspirante a Oficial na Turma de 1947. 



Passou  
para a reserva em 1969, após uma carreira ímpar de realizações e de muito idealismo. 
Duas aeronaves, o Beechcraft C-45 Expeditor, matrícula FAB 2856 e o Consolidated CA-10 Catalina,  
matrícula FAB 6527, ambas em exposição no Museu Aeroespacial (MUSAL), foram comandadas pelo Cel. 



Marincek, ao longo de suas sete mil horas de voo, muitas delas na Amazônia.


Na reserva, dedicou-se à pintura, vindo a falecer em abril de 2010.
Em rápidas notas, este foi Hélio Marincek, o  Piloto Menino, um brasileiro que faz parte da história da  
aeronáutica mundial. 






O autor, Cel Av R1 Marco Aurélio de Mattos, é chefe da Divisão de Comunicação Social do INCAER.

Fonte: INCAER- via : Cmte Rubens Tavares ,que colaborou com a matéria.
Foto:flogao.com.br









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