21/01/2010

EUA enviam mais sete mil militares ao Haiti

EUA enviam mais sete mil militares ao Haiti




Em tese, esses soldados deveriam cuidar, apenas, da ajuda direta aos desabrigados. Mas na prática, os americanos controlam diversos setores da capital Porto Príncipe.

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos anunciou que vai enviar mais sete mil militares ao Haiti, elevando para 20 mil o total.

Em tese, esses soldados deveriam cuidar, apenas, da ajuda direta aos desabrigados.

Mas o enviado especial Rodrigo Alvarez mostra que, na prática, os americanos controlam diversos setores da capital Porto Príncipe.

Dois tanques americanos passaram o dia fazendo ronda no centro de Porto Príncipe. Soldados armados com metralhadoras percorreram os bairros mais violentos, bloquearam ruas e assumiram o controle da capital.

Policiais haitianos mais pareciam expectadores do show militar dos Estados Unidos.

Perguntei ao capitão americano qual era o objetivo da operação. Ele respondeu: “Segurança”. Depois acrescentou que eles estavam no local para dar tranquilidade às ambulâncias a caminho do hospital.

Ainda que para fazer uma segurança humanitária, o que é autorizado pela ONU, o fato é que o exército americano tomou conta da capital haitiana.

Horas mais cedo, fuzileiros navais brasileiros faziam uma operação de entrega de água e comida na favela Cidade Militar.

O que militares de vários países concordam, inclusive brasileiros, é que sem a enorme ajuda americana, o caos haitiano seria muito maior.

Ninguém tem mais recursos do que eles para desembarcar equipamentos em uma praia, montar acampamentos gigantes e distribuir comida para multidões.

E o governo do Haiti o que tem feito? Alguém sabe onde anda o presidente? Os haitianos não fazem a menor ideia.

Muitos não querem nem saber do governo nacional. Um homem radicaliza: “Seria melhor trocar logo a bandeira do Haiti pela dos Estados Unidos”.

Os mais moderados só reclamam: “René Préval não fazia nada antes do terremoto e depois então, fez menos ainda”. Aos olhos do povo faminto, Préval é um presidente fraco e desaparecido.

Préval, na verdade, está em um prédio da polícia ao lado do aeroporto transformado em base americana.

Pousos e decolagens são controlados a distância por técnicos que estão no Arizona. São tantos vai-e-vens que a pista virou atração turística e a bandeira que tremula já não é a mesma que manda.

Em um país sem ministérios, sem parlamento e por enquanto sem destino, o governo é pura ficção. O único serviço público que funciona a todo vapor é o setor de imigração e emigração.

Os haitianos procuram desesperadamente um jeito de deixar o país. Só com o passaporte, eles podem se aventurar pela fila interminável na embaixada dos Estados Unidos e sonhar com a emigração. Estima-se que seis milhões de pessoas precisariam de ajuda.

E a cada novo tremor como os que aconteceram nesta quinta-feira (21) à tarde, mais e mais haitianos tentam sair.

Enquanto isso os escombros de Porto Príncipe trazem boas notícias, duas crianças foram salvas na quarta-feira (20), oito dias depois do terremoto, no que sobrou de uma casa. Em meio a tanta desgraça, o resgate dá motivos de sobra para aplausos e uma perceptível emoção.




fonte:G1.com

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